Infecção por Gardnerella
A infecção por Gardnerella vaginalis é uma das principais causas da vaginose bacteriana, uma condição caracterizada pelo desequilíbrio da microbiota vaginal. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), a gardnerella pode ser influenciada pela atividade sexual e está associada a diversos desconfortos e complicações ginecológicas.
O que é
A infecção por Gardnerella vaginalis ocorre quando há um crescimento excessivo dessa bactéria na flora vaginal, resultando em um desequilíbrio do pH e na redução da presença de lactobacilos protetores. Esse quadro é conhecido como vaginose bacteriana, que pode causar sintomas incômodos e aumentar o risco de outras infecções.
Em condições normais, a Gardnerella vaginalis pode estar presente na microbiota vaginal sem causar sintomas. No entanto, quando há uma proliferação excessiva dessa bactéria, pode surgir um quadro clínico característico, exigindo tratamento adequado.
Sinônimos
A infecção por Gardnerella vaginalis também pode ser conhecida como:
- Vaginose bacteriana (quando há sintomas e desequilíbrio da flora vaginal)
- Infecção por Gardnerella
- Desequilíbrio da microbiota vaginal
- Vaginite inespecífica
Embora a bactéria Gardnerella vaginalis esteja associada à vaginose bacteriana, o termo “vaginose bacteriana” abrange uma condição mais ampla, envolvendo outros microrganismos oportunistas.
Agente
O agente causador da infecção é a bactéria Gardnerella vaginalis, um microrganismo anaeróbico facultativo presente na microbiota vaginal de muitas mulheres. O problema ocorre quando há um desequilíbrio e um crescimento excessivo dessa bactéria, levando à redução dos lactobacilos e ao aumento do pH vaginal.
A Gardnerella vaginalis não é exclusiva das mulheres, podendo ser encontrada no trato urinário masculino, embora raramente cause sintomas nos homens.
Sintomas
Nem todas as mulheres infectadas por Gardnerella vaginalis apresentam sintomas. No entanto, quando a infecção se manifesta, os principais sinais incluem:
- Corrimento vaginal fino, acinzentado ou branco
- Odor forte e desagradável, semelhante a peixe, mais evidente após relações sexuais
- Coceira vaginal leve a moderada
- Desconforto ao urinar
- Ardência vaginal
Nos homens, a infecção por Gardnerella vaginalis geralmente é assintomática, mas pode, em casos raros, causar sintomas urinários leves.
Tratamentos
O tratamento para a infecção por Gardnerella vaginalis é baseado no uso de antibióticos, que podem ser administrados via oral ou tópica. As principais opções incluem:
- Metronidazol (oral ou gel vaginal) – 500 mg duas vezes ao dia por 7 dias
- Clindamicina (oral ou creme vaginal) – 300 mg duas vezes ao dia por 7 dias
- Tinidazol – alternativa ao metronidazol, com eficácia semelhante
Além dos antibióticos, algumas medidas complementares podem ajudar a restaurar a microbiota vaginal, como o uso de probióticos e a adoção de hábitos saudáveis.
Prevenção
Embora a infecção por Gardnerella vaginalis não seja uma IST, algumas práticas podem ajudar a prevenir seu desenvolvimento:
- Evitar duchas vaginais, pois alteram o equilíbrio da flora vaginal
- Usar preservativos, pois reduzem a exposição a bactérias externas
- Manter uma boa higiene íntima, sem o uso excessivo de sabonetes agressivos
- Evitar o uso prolongado de antibióticos, que podem eliminar lactobacilos protetores
- Incluir alimentos ricos em probióticos na dieta, como iogurte natural e kefir
Manter o equilíbrio da microbiota vaginal é essencial para prevenir infecções recorrentes.
Complicações e Consequências
Quando não tratada, a infecção por Gardnerella vaginalis pode levar a complicações, incluindo:
- Maior risco de contrair outras ISTs, como clamídia e gonorreia
- Doença inflamatória pélvica (DIP), que pode afetar a fertilidade
- Complicações na gravidez, como parto prematuro e baixo peso do bebê
- Infecção pós-parto ou pós-cirúrgica, especialmente após cesarianas ou procedimentos ginecológicos
A detecção e o tratamento precoce são fundamentais para evitar essas complicações.
Transmissão
A Gardnerella vaginalis não é classificada como uma infecção sexualmente transmissível, mas fatores como a atividade sexual podem influenciar no seu desenvolvimento. A bactéria pode ser transmitida entre parceiros sexuais, mas seu crescimento excessivo está mais relacionado a desequilíbrios da microbiota vaginal do que à transmissão propriamente dita.
Nos homens, a bactéria pode colonizar a uretra sem causar sintomas, e o tratamento do parceiro masculino nem sempre é necessário, a menos que haja sinais clínicos de infecção.
Período de Incubação
O período de incubação da Gardnerella vaginalis é variável e depende de fatores como o estado imunológico da pessoa e o equilíbrio da microbiota vaginal. A infecção pode se manifestar dias ou semanas após um fator desencadeante, como o uso de antibióticos ou uma alteração na rotina sexual.
Diagnóstico
O diagnóstico da infecção por Gardnerella vaginalis é clínico e laboratorial. Os principais métodos incluem:
- Avaliação clínica: exame ginecológico e histórico dos sintomas
- Teste de pH vaginal: a vaginose bacteriana geralmente apresenta pH superior a 4,5
- Teste do odor (Whiff Test): adição de KOH a uma amostra do corrimento para detectar o odor característico
- Exame microscópico: detecção de “clue cells” (células epiteliais recobertas por bactérias)
- Teste molecular (PCR): identificação do DNA da Gardnerella vaginalis
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente e evitar complicações futuras.
A infecção por Gardnerella vaginalis é uma condição comum e tratável, mas pode trazer desconfortos e riscos se não for adequadamente controlada. Com medidas preventivas, tratamento correto e hábitos saudáveis, é possível manter o equilíbrio da microbiota vaginal e evitar recorrências.