cancro mole

Cancro Mole

O cancro mole é uma infecção sexualmente transmissível (IST) pouco conhecida, mas que pode causar grandes desconfortos e complicações quando não tratada adequadamente. Causada por uma bactéria específica, essa doença se manifesta por meio de feridas dolorosas nos órgãos genitais, sendo muitas vezes confundida com outras condições dermatológicas.

O que é?

O cancro mole é uma doença sexualmente transmissível (DST) caracterizada por feridas ulceradas nos órgãos genitais. Essa infecção é altamente contagiosa e ocorre principalmente em locais com condições sanitárias precárias. Apesar de ser menos conhecida do que outras DSTs, como a sífilis e o herpes genital, o cancro mole tem grande importância clínica devido ao seu impacto na saúde sexual e reprodutiva.

As lesões causadas pela doença são dolorosas, o que a diferencia da sífilis primária, cujas úlceras geralmente são indolores. Se não for tratado a tempo, pode levar a complicações sérias, como infecções secundárias e comprometimento dos tecidos genitais.

Sinônimos

O cancro mole é também conhecido como cancro venéreo, úlcera mole venérea, cancroide ou cancro de Ducrey.

Agente

O cancro mole é causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, um microrganismo gram-negativo que tem predileção por tecidos úmidos e quentes, como a região genital. Essa bactéria se propaga através do contato direto com lesões infectadas, tornando-se altamente transmissível por meio de relações sexuais desprotegidas.

A infecção ocorre quando a bactéria penetra pequenas fissuras ou microlesões na pele e mucosas, dando origem a úlceras dolorosas. O tempo de incubação é relativamente curto, e os sintomas podem surgir poucos dias após a exposição ao agente infeccioso.

Sintomas

Os sintomas do cancro mole costumam se manifestar entre 3 e 10 dias após o contato com a bactéria. As principais manifestações clínicas incluem:

  • Feridas genitais dolorosas: úlceras rasas, de bordas irregulares e avermelhadas.
  • Aumento dos gânglios linfáticos: linfonodos inflamados na região da virilha, que podem formar abscessos dolorosos.
  • Sensação de queimação: especialmente ao urinar ou durante relações sexuais.
  • Secreção purulenta: exsudato amarelado e de odor desagradável nas feridas.
  • Lesões múltiplas: em alguns casos, surgem várias úlceras simultaneamente.

Se não tratado adequadamente, o cancro mole pode levar a complicações mais graves, dificultando a cicatrização e favorecendo infecções secundárias.

Tratamentos

O tratamento do cancro mole é baseado no uso de antibióticos específicos para eliminar a bactéria Haemophilus ducreyi. As opções mais comuns incluem:

  • Azitromicina: dose única de 1g via oral.
  • Ceftriaxona: 250 mg em dose única por via intramuscular.
  • Eritromicina: 500 mg, três vezes ao dia, por sete dias.
  • Ciprofloxacino: 500 mg, duas vezes ao dia, por três dias.

Além do uso de antibióticos, algumas medidas complementares podem ser recomendadas:

  • Higiene rigorosa da região afetada.
  • Evitar relações sexuais até a cura completa.
  • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios para alívio da dor.
  • Drenagem de abscessos linfáticos, quando necessário.

O tratamento precoce é fundamental para evitar complicações e impedir a disseminação da infecção para outras pessoas.

Prevenção

A melhor maneira de evitar o cancro mole é por meio da adoção de medidas preventivas eficazes, como:

  • Uso de preservativos em todas as relações sexuais.
  • Higienização íntima adequada antes e após o contato sexual.
  • Evitar múltiplos parceiros sexuais sem proteção.
  • Testes regulares para ISTs, especialmente para pessoas com vida sexual ativa.
  • Buscar atendimento médico ao menor sinal de lesões genitais.

A educação sexual e a conscientização sobre as ISTs desempenham um papel essencial na redução da incidência do cancro mole e de outras doenças transmissíveis.

Complicações e Consequências

O diagnóstico e tratamento tardio do cancro mole podem levar a diversas complicações, como:

  • Linfadenopatia inguinal: inflamação dos linfonodos na virilha, podendo evoluir para abscessos dolorosos.
  • Infecção secundária: a presença de úlceras abertas favorece a entrada de outras bactérias, agravando o quadro.
  • Cicatrizes e deformidades: feridas profundas podem deixar marcas permanentes na pele.
  • Facilidade para transmissão do HIV: indivíduos com feridas genitais abertas apresentam maior risco de contrair e transmitir o vírus do HIV.

O acompanhamento médico adequado e o uso correto dos antibióticos podem prevenir tais complicações e garantir a cura completa da infecção.

Transmissão

A principal forma de transmissão do cancro mole é pelo contato direto com as lesões infectadas durante relações sexuais. O vírus não se espalha por meio de beijos, abraços ou contato casual.

Além do contato sexual, há casos raros em que a transmissão pode ocorrer por meio de objetos contaminados ou pela autoinoculação, onde a infecção é espalhada pelo próprio paciente ao tocar em diferentes partes do corpo com as mãos contaminadas.

Período de Incubação

O tempo entre a exposição à bactéria Haemophilus ducreyi e o surgimento dos primeiros sintomas varia entre 3 e 10 dias. Esse período pode ser influenciado pelo estado do sistema imunológico do paciente e pela quantidade de bactérias adquiridas na infecção.

Durante esse período, a pessoa infectada pode não apresentar sintomas visíveis, mas ainda assim transmitir a doença para outras pessoas. Por isso, o rastreamento e o diagnóstico precoce são essenciais para conter a disseminação da infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico do cancro mole é feito por meio de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Os principais métodos incluem:

  • Exame clínico: análise visual das lesões.
  • Cultura bacteriana: identificação do Haemophilus ducreyi em laboratório.
  • Teste molecular (PCR): método altamente preciso para confirmar a presença do agente infeccioso.
  • Sorologia: para descartar outras ISTs, como sífilis e herpes genital.

O diagnóstico diferencial com outras doenças ulcerativas é fundamental para evitar erros no tratamento.

O cancro mole, embora menos conhecido, é uma IST que merece atenção. O conhecimento, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para controlar essa infecção e evitar complicações futuras.