Sífilis
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode afetar diferentes órgãos e sistemas do corpo humano. Causada por uma bactéria, a doença tem um curso progressivo e pode se manifestar em várias fases. Se não for tratada adequadamente, pode levar a complicações graves e até mesmo à morte. A boa notícia é que a sífilis tem cura e pode ser prevenida.
O que é
A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela é transmitida principalmente por contato sexual desprotegido, mas também pode ser passada de mãe para filho durante a gestação, caracterizando a sífilis congênita. A doença apresenta um ciclo evolutivo dividido em estágios clínicos distintos, sendo eles:
- Sífilis primária: caracterizada pelo aparecimento do cancro duro;
- Sífilis secundária: marcada por sintomas cutâneos e disseminação da bactéria pelo corpo;
- Sífilis latente: período assintomático em que a infecção pode permanecer por anos;
- Sífilis terciária: fase mais grave, podendo afetar o coração, cérebro e outros órgãos vitais.
Agente
A bactéria responsável pela sífilis é o Treponema pallidum, um espiroqueta de alta capacidade invasiva e grande afinidade pelos tecidos humanos. Esse microrganismo pode se multiplicar rapidamente no organismo e, se não for eliminado pelo tratamento adequado, pode causar danos progressivos ao longo dos anos.
O Treponema pallidum é extremamente sensível ao ambiente externo, sendo incapaz de sobreviver por longos períodos fora do corpo humano. Por isso, a transmissão ocorre quase exclusivamente pelo contato direto com uma pessoa infectada.
Sintomas
Os sintomas da sífilis variam conforme o estágio da doença:
Sífilis Primária
- Surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor de bordas bem definidas;
- Aumento dos linfonodos próximos ao local da lesão;
- O cancro desaparece espontaneamente em 3 a 6 semanas, mesmo sem tratamento.
Sífilis Secundária
- Manchas avermelhadas na pele, especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés;
- Febre, fadiga e mal-estar;
- Dores musculares e linfonodos aumentados;
- Queda de cabelo em áreas específicas;
- Lesões mucosas na boca e genitais.
Sífilis Latente
- Ausência de sintomas clínicos;
- A infecção persiste no organismo, podendo ser detectada por exames laboratoriais.
Sífilis Terciária
- Lesões em órgãos vitais, como coração e sistema nervoso central;
- Demência, paralisia e dificuldades motoras;
- Problemas cardiovasculares graves;
- Formação de gomas sifilíticas, lesões granulomatosas que podem comprometer a função de tecidos e órgãos.
Tratamentos
O tratamento da sífilis é feito com antibióticos, sendo a penicilina benzatina o medicamento de escolha. As doses e o tempo de tratamento variam conforme o estágio da doença:
- Sífilis primária e secundária: dose única de 2,4 milhões de unidades de penicilina benzatina;
- Sífilis latente recente (menos de 1 ano de infecção): mesma dose única de 2,4 milhões de unidades;
- Sífilis latente tardia e terciária: 2,4 milhões de unidades de penicilina benzatina, aplicadas uma vez por semana durante três semanas.
Para pacientes alérgicos à penicilina, alternativas como a doxiciclina e a azitromicina podem ser utilizadas sob supervisão médica.
Após o tratamento, exames laboratoriais devem ser realizados periodicamente para monitorar a resposta ao antibiótico e garantir a erradicação da infecção.
Prevenção
A melhor maneira de prevenir a sífilis é adotando hábitos sexuais seguros e realizando exames periódicos. Algumas medidas preventivas incluem:
- Uso de preservativos em todas as relações sexuais;
- Testes regulares para ISTs, especialmente para pessoas sexualmente ativas;
- Evitar múltiplos parceiros sexuais sem proteção adequada;
- Acompanhamento pré-natal para gestantes, a fim de evitar a sífilis congênita;
- Educação sexual e conscientização sobre ISTs.
A vacinação contra o HPV e outras ISTs não protege contra a sífilis, tornando essencial o uso de preservativos e o diagnóstico precoce.
Complicações e Consequências
Quando não tratada a tempo, a sífilis pode causar complicações severas e irreversíveis. Entre os problemas mais comuns estão:
- Sífilis neurológica: pode levar a problemas de memória, dificuldade de coordenação e até paralisia;
- Complicações cardiovasculares: aneurismas e insuficiência cardíaca;
- Cegueira e surdez: em estágios avançados da doença;
- Sífilis congênita: recém-nascidos podem apresentar malformações, retardo no desenvolvimento e até óbito.
O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para evitar essas complicações.
Transmissão
A transmissão da sífilis ocorre principalmente por contato direto com as lesões da doença, sendo as principais formas:
- Relações sexuais desprotegidas (vaginal, anal e oral);
- Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação ou parto);
- Transfusões de sangue contaminado (atualmente muito raras devido aos controles rigorosos).
A sífilis não se transmite pelo compartilhamento de objetos pessoais, beijos, abraços ou contato casual.
Período de Incubação
O período de incubação da sífilis varia entre 10 a 90 dias, com uma média de 21 dias. Esse é o tempo necessário para que a bactéria se multiplique e cause a lesão primária (cancro duro). Durante essa fase, a pessoa pode não apresentar sintomas visíveis, mas já pode transmitir a infecção.
Diagnóstico
O diagnóstico da sífilis é feito por meio de exames laboratoriais, que incluem:
- Testes não treponêmicos (VDRL e RPR): detectam anticorpos produzidos em resposta à infecção;
- Testes treponêmicos (FTA-ABS, TPHA): confirmam a presença do Treponema pallidum;
- Microscopia de campo escuro: permite a visualização direta da bactéria nas lesões primárias;
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): método moderno e altamente preciso para identificação do DNA bacteriano.
A realização de exames periódicos é essencial para um diagnóstico precoce e tratamento imediato.
A sífilis, apesar de ser uma doença tratável e evitável, continua sendo um problema de saúde pública. A informação e a prevenção são as melhores formas de combater essa infecção. Buscar assistência médica ao primeiro sinal de sintomas e realizar exames regulares são atitudes fundamentais para proteger a própria saúde e evitar a transmissão para outras pessoas.