linfogranuloma venereo

Linfogranuloma Venéreo

O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por uma bactéria específica da família das clamídias. Essa doença pode afetar tanto homens quanto mulheres e, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves. Embora seja mais comum em algumas regiões do mundo, seu número de casos tem aumentado, principalmente entre populações de alto risco. Conhecer os sintomas, formas de prevenção e tratamento é essencial para evitar sua disseminação.

O que é

O linfogranuloma venéreo é uma infecção sexualmente transmissível causada por uma bactéria da espécie Chlamydia trachomatis. Diferente das infecções genitais comuns por clamídia, o LGV apresenta um curso mais agressivo, podendo comprometer os gânglios linfáticos e causar inflamações extensas na região genital e anal.

A doença se manifesta em três estágios distintos e pode ser confundida com outras ISTs, como sífilis e herpes genital, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Sinônimos

O linfogranuloma venéreo também pode ser conhecido por outros termos, como:

  • LGV
  • Doença de Nicolas-Favre
  • Clamídia invasiva
  • Linfopatia venérea

Embora esses nomes sejam usados em diferentes contextos, todos se referem à mesma infecção causada pela Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1, L2 e L3.

Agente

O responsável pelo linfogranuloma venéreo é a bactéria Chlamydia trachomatis, mais especificamente os sorotipos L1, L2 e L3. Essa bactéria tem uma capacidade invasiva maior do que os sorotipos que causam infecções genitais comuns, permitindo que o LGV afete os tecidos linfáticos e cause inflamações profundas.

A Chlamydia trachomatis é um patógeno intracelular obrigatório, ou seja, só consegue se multiplicar dentro das células humanas. Isso torna o tratamento mais desafiador e exige o uso de antibióticos adequados.

Sintomas

Os sintomas do linfogranuloma venéreo variam conforme o estágio da infecção. A doença se manifesta em três fases principais:

Fase Primária

  • Pequena lesão indolor na área genital, anal ou oral
  • Ferida discreta, que pode passar despercebida
  • A lesão desaparece espontaneamente em poucos dias

Fase Secundária (2 a 6 semanas após a infecção)

  • Inflamação dos gânglios linfáticos inguinais (bubões)
  • Inchaço e dor na região da virilha
  • Febre, calafrios e mal-estar geral
  • Secreção purulenta ao redor da área afetada

Fase Terciária (Complicações Graves)

  • Formação de fístulas e abscessos na região genital ou anal
  • Elefantíase genital (inchaço severo devido à obstrução linfática)
  • Inflamação retal severa, podendo levar à estenose anal

Os sintomas podem variar conforme a via de transmissão e o sistema imunológico do paciente, tornando o diagnóstico essencial para evitar complicações graves.

Tratamentos

O tratamento do linfogranuloma venéreo é feito com antibióticos específicos, capazes de erradicar a bactéria Chlamydia trachomatis dos tecidos infectados. As principais opções incluem:

  • Doxiciclina (100 mg, 2x ao dia, por 21 dias) – tratamento padrão recomendado
  • Azitromicina (1g por semana, durante 3 semanas) – alternativa eficaz
  • Eritromicina (500 mg, 4x ao dia, por 21 dias) – indicado para gestantes ou alérgicos à doxiciclina

O acompanhamento médico é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e evitar recidivas. Além disso, o parceiro sexual também deve ser tratado para evitar a reinfecção.

Prevenção

A prevenção do linfogranuloma venéreo segue as diretrizes para outras infecções sexualmente transmissíveis. As principais medidas incluem:

  • Uso de preservativos em todas as relações sexuais
  • Testes regulares para ISTs, especialmente para pessoas sexualmente ativas
  • Evitar múltiplos parceiros sexuais sem proteção adequada
  • Diálogo aberto com o parceiro sobre histórico de ISTs
  • Higiene adequada antes e após o contato sexual

A detecção precoce e o tratamento imediato são essenciais para reduzir a disseminação do LGV.

Complicações e Consequências

Se não tratado, o linfogranuloma venéreo pode levar a sérias complicações, incluindo:

  • Obstrução linfática, levando a elefantíase genital
  • Fístulas e abscessos persistentes
  • Estenose retal, dificultando a evacuação
  • Infecção disseminada, comprometendo órgãos distantes

O diagnóstico e o tratamento precoce evitam essas complicações e garantem uma recuperação completa.

Transmissão

O linfogranuloma venéreo é transmitido principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas. As principais formas de transmissão incluem:

  • Sexo vaginal, anal ou oral sem preservativo
  • Contato direto com secreções infectadas
  • Compartilhamento de objetos íntimos contaminados (caso raro)

A infecção é mais comum entre homens que fazem sexo com homens (HSH), mas pode acometer qualquer pessoa sexualmente ativa.

Período de Incubação

O período de incubação do linfogranuloma venéreo varia entre 3 e 30 dias, dependendo da carga viral e da resposta imunológica do paciente. Durante esse tempo, a pessoa pode não apresentar sintomas, mas ainda pode transmitir a bactéria.

Diagnóstico

O diagnóstico do linfogranuloma venéreo pode ser feito por meio de exames clínicos e laboratoriais:

  • Exame clínico e histórico do paciente
  • Teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) – método mais preciso para identificar Chlamydia trachomatis
  • Sorologia para clamídia – útil, mas menos específica
  • Biópsia das lesões – indicada em casos de diagnóstico duvidoso

O diagnóstico diferencial deve descartar outras ISTs ulcerativas, como sífilis, herpes genital e cancro mole.

O linfogranuloma venéreo é uma infecção que pode causar complicações graves se não tratada a tempo. O conhecimento sobre seus sintomas, formas de prevenção e tratamento adequado são essenciais para evitar sua disseminação e proteger a saúde sexual. O uso de preservativos, exames regulares e o tratamento imediato ao menor sinal de sintomas são as melhores estratégias para combater essa doença